sexta-feira, outubro 11, 2013

FIQUEI SEM CHÃO...

Esta semana foi um pouco complicada, pra mim. Quando tinha 9/10 anos fui operada às amígdalas. Fui com a minha mãe ao Hospital Ordem Terceira, ia toda contente, pois sabia que depois do dói, dói, ia só poder comer gelados, uma das minhas iguarias preferidas desde de sempre. A operação foi depois do almoço, sei que cheguei com a minha mãe com um pouco de medo, apesar de me armar em forte, para não preocupar a minha mãe. Mas, sempre fui assim, gostava de poupar a minha mãe. Chegou a minha vez da intervenção, chamaram a Isabel Maria, lá fui eu, deitaram-me numa marquesa, o médico falou comigo eu conhecia-o do consultório, das consultas prévias que tinha feito, entretanto sempre a falar comigo, colocou-me uma máscara na cara, que a Isabel só se lembra de começar a ouvir tudo muito longe até que apaguei de vez. Quando acordei, estava numa sala de recuperação, onde a minha mãe estava ao pé de mim. Só sei que o que disse logo à minha mãe:-Mãe, o Doutor, cheirava a vinho (Sorrisos). Foi, o último cheiro que me lembro (esquecendo o eter). Passado o tempo que acho que foi uma hora fui pra casa de taxi com a minha mãe. Sabia que não podia falar, gritar, etc. Quando precisa-se de algo, tinha uma colher, para bater num objecto na mesinha de cabeceira, que a minha mãe colocou pra esse fim. Ok, a Isabel estava deitada, quando a minha mãe diz:-Belinha, a mãe vai à rua vem já, não sais daí nem atendas o telefone, deixa-o tocar, está bem? Eu com a cabeça fiz o sinal que sim. Só que mal a minha mãe saiu, o telefone começa a tocar e não parava (naquele tempo os telefones, só desligavam, quando se atendia, ou a pessoa que estava a fazer a chamada desligava, não é como agora, ao fim de X tempo desliga). Bem, aquele som irrintante, não se calava, e eu farta, fui atender, claro, que fiz burrada, era um fornecedor do meu pai, de Oliveira de Azemeis, quando começo a falar baixinho, o sr. não percebia e a Isabel toca de falar alto e em bom som. Recebi o recado, e quando a minha mãe chega lá levei um ralhete, mas, o mal já estava feito. Passado, três dias tinha consulta, nesse dia tive muitas hemorrogias...O médico viu-me e disse que era normal e que estava tudo bem. Ok, ele é que era o médico, por isso acreditei.

Mas, pela minha vida fora, a amigdala que sangrou nunca ficou bem, pois até hoje com 54 anos ela (eu sei que o médico tirou as amigdalas) mas, o que é certo, é que sempre inchou e doeu. No Domingo passado, começou-me a doer a garganta (do tal lado), mas, não liguei, segunda continuou, mas, como era normal com o tempo passava sem ter que tomar nada. Os filhos vinham dar beijinhos e eu a dizer: Não, dói-me a garganta. Na terça continuava, era dez horas, estava eu sentada a escrever no blog, quando deixo cair uma caneta, baixo-me pra apanhar e ao engolir a salíva, doeu-me, naquela altura levei a mão ao sitío certo onde doia, quando dou com um grande nódulo. Nessa altura, fiquei sem chão, caiu-me tudo em cima, pensei em tudo (nada de bom) Comecei, a pensar o que fazer, fui pra cozinha e resolvi ir adiantando o jantar (peixe espiritual), fiz o jantar, quando o terminei eram umas 11,30 h, já tinha decidido o que fazer: ir ao médico. Se não, quando os filhos chegassem à noite bem tinha que ouvi-los, se fossemos nós fosse a que horas fosse ias logo a correr, e tinham toda a razão! Resolvi ir ao meu médico de familía Dr. C.N.A. um médico que confio muito. Quando sou atendida (não tenho problema com o meu médico, atende-me sempre, ou aos filhos). Falamos sobre o que se passava, apalpa, e apalpa, e depois continuamos a conversar, e ele a prescrever a medicação (.....) e os exames, tinha que ir fazer uma ECO de urgêngia, além das análises, e disse:-Isabel mal tenha as análises, venha logo ter comigo, e bate à porta, que eu atendo-a logo. Pois a ECO vai demorar mais um pouco. Só que a Isabel, como sempre, é uma chatinha, e liguei logo pra clínica pra marcar, quando me dizem que só dalí a oito dias é que havia vaga. Mas, com os cortes da PORCARIA do Governo, a Segurança Social nem comparticipava, nestes exames que o médico pedia, eu digo logo: Ok, então como tenho que pagar a totalidade, é chamado particular, então quero o exame pra amanhã, a senhora lá dizia: ha, não pode, e eu disse: pode sim, pois eu não posso ficar uma semana há espera, quando há menos de dois anos partiu a minha mãe com um Linfoma, e eu sei bem como começou. Lá a senhora vai falar com o Dr. e ele marca logo pra as 11 horas do outro dia (quarta-feira). Cheguei a casa arrebentei, chorei tudo a que tinha direito ou não! Tinha que estar bem (como quem diz) quando os filhos chegassem. Quando estavamos a jantar a filha olha pra mim e começa a chorar (não, eu não estava a chorar), mas ela é muito sensível, e sentiu, o filho pergunta-me:-Mãe, o que se passa? Lá contei, os olhos dele vidraram logo, deu a primeira garfada, e não comeu mais nada, assim como a filha, eu então nem se fala. De terça, pra quarta ninguém dormiu. Quando na quarta-feira o filho sai para o trabalho diz logo:-Mãe, mal saibas qualquer coisa liga-me logo. O exame estava marcado, para as 11 horas, mas às 8,30 horas fui fazer as análises, depois fui tomar o pequeno-almoço (uma bola de berlim com muito creme e um Sumol de laranja). A cliníca é a 7 minutos de minha casa, eram 9 horas, segui pra lá, pois já não estava bem em lado nenhum queria acabar com aquela angústia. Meto-me no carro e lá vou eu a caminho de fazer o exame, mas a falar com (ELE)o meu amigo como eu sempre digo. Ia com o coração apertado, mas digo-lhe:-Meus Deus, faz com que não seja nada, pois eu ainda sou precisa pra os meus filhos, mas, se achas que eu mereço algo, podes ficar descansado que não me zango nem me revolto contigo. Recebo o que tiver que ser. Lá continuei o meu caminho, mas, quando estou a entrar no eixo Norte-Sul, parei na Rotunda, e tive uma sensação sublime, senti uma Paz, que não consigo explicar, aquele aperto que eu tinha no peito, desapareceu senti-me tranquila, cheguei à clinica em Almada estacionei, e lá vou eu tranquila fazer o exame sem medo. Pela 1º vez estou a fazer um exame, sem estar com perguntas, no final o médico fala comigo, e tranquiliza-me e diz que o meu médico é excelente, que estou bem acompanhada. Disse-me o que era e que não era nada de preocupante.

Ligo logo para o filho, a contar, e para a filha, e também para a minha amiga Manuela. Isto tudo para quê? Nós somos tudo, e não somos nada de um momento para o outro. Foi uma semana, assim para o esquisito, pois foi uma montanha-russa de sensações, que não desejo a ninguém, nem mesmo a quem não gosta de mim. Só hoje com o resultado dos restantes exames tranquilizei. Agora é continuar, e saber que (ELE) está sempre ao meu lado. Nunca questionei o porquê comigo (quando algo corre menos bem), pois eu penso que são provas, que (ELE) coloca, para que eu as ultrapasse, ou não! Mas, uma coisa tenho eu a certeza, todas elas (provas) me tornam uma mulher mais forte, e ser a Mulher que sou hoje!